Quando Roland Emmerich escreveu 2012 talvez tivesse uma proposta velada: fazer com que as pessoas refletissem sobre suas atitudes e as consequências delas. O fim do mundo não era apenas uma catástrofe prevista, inevitável. Era também, de alguma forma, o resultado do que somos e do que fazemos com aquilo que somos. A tragédia do atirador na escola infantil do Rio de Janeiro, ceifando a vida de inocentes e depois tirando a própria mostrou um outro 2012. Era o fim para pais e familiares das vítimas, atingidos pelo tsunami da violência social. Em todos, uma só pergunta: por quê? Em todos, a mesma perplexidade e a mesma impotência frente a um drama, assim como os personagens do filme.
É preciso um pouco mais de cuidado com as pessoas: somos muito generalistas, com cuidados voltados para o macro, e esquecemos que é o comportamento individual, certo ou errado, que forma essa geléia social em que vivemos. Precisamos olhar um pouco mais para quem está ao nosso lado e um pouco menos para a multidão. Será que esse cara é normal?
Mas no fim a culpa sempre será da sociedade doente, que não olha para seus cidadãos e não funciona como organização. Holofotes ligados sobre aproveitadores contumazes verbalizando barbaridades, mães, pais e irmãos desesperados, exibidos à exaustão por emissoras desesperadas pelo Ibope. O espetáculo não pode parar. Qual será a próxima tragédia?












